Suspensas sanções dos EUA sobre petróleo iraniano até 21 de agosto
Sanções tinham a ver com a produção, venda e transporte de hidrocarbonetos de origem iraniana.
Os Estados Unidos anunciaram esta segunda-feira a suspensão, até 21 de agosto, das sanções aplicadas ao petróleo iraniano, no âmbito do memorando de entendimento assinado com o Irão.
"Todas as transações" anteriormente proibidas e relacionadas com a produção, venda e transporte de hidrocarbonetos de origem iraniana, "estão autorizadas até às 00:01 de 21 de agosto (hora de Washington)", lê-se num comunicado publicado no site do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, responsável pela gestão das sanções económicas.
“Em consonância com as negociações produtivas em curso na Suíça, o Irão comprometeu-se com o trânsito livre e aberto no Estreito de Ormuz e a permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) no seu território”, escreveu o secretário do Tesouro dos EUA no X.
“No âmbito deste acordo, o Departamento do Tesouro emitiu uma licença geral temporária de 60 dias, autorizando a produção, o transporte e a venda de petróleo iraniano”, acrescentou.
Under President @realDonaldTrump and @VP, we continue to make the world safer and more prosperous.
— Treasury Secretary Scott Bessent (@SecScottBessent) June 22, 2026
In line with the ongoing productive talks in Switzerland, Iran has committed to free and open transit in the Strait of Hormuz and to permit International Atomic Energy Agency…
A licença permite a importação de petróleo iraniano para os EUA quando necessário para concluir a sua venda, entrega ou descarga. Os EUA não importam petróleo iraniano em quantidades significativas desde que Washington impôs medidas após a revolução de 1979.
De acordo com um memorando de entendimento assinado na semana passada entre Washington e Teerão, os EUA concordaram em conceder isenções para a exportação de petróleo bruto, produtos petrolíferos e derivados iranianos, bem como todos os serviços associados, incluindo transações bancárias, seguros e transportes.
O pagamento dos fundos ao Irão pode ser feito em dólares norte-americanos, segundo a licença.
Washington impôs as primeiras sanções ao Irão em 1979, quando estudantes revolucionários tomaram a embaixada dos EUA em Teerão, mantendo os diplomatas reféns. Desde então, foram impostas várias sanções adicionais devido ao programa nuclear e ao apoio do Irão a grupos que os EUA consideram organizações terroristas.
Os preços do petróleo subiram exponencialmente quando Teerão começou a bloquear o Estreito de Ormuz, o que levou os EUA a bloquear os portos iranianos, mas, após o acordo provisório alcançado na semana passada, os valores caíram para o nível mais baixo desde antes do início da guerra, a 28 de fevereiro, com os ataques dos EUA e Israel ao Irão. Já cotado abaixo dos 80 dólares por barril esta segunda-feira, graças ao degelo diplomático, o preço do petróleo Brent do Mar do Norte, a referência global, caiu para 77,60 dólares, muito abaixo do pico de mais de 126 dólares atingido no auge da guerra comercial.
A autorização foi anunciada depois do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ter afirmado que as longas conversações com responsáveis iranianos na Suíça criaram uma "boa base para um acordo final bem-sucedido".
JD Vance saudou ainda o acordo do Irão, que, segundo disse, permitiu o regresso dos inspetores da AIEA ao seu território, considerando um "marco importante" e um "primeiro passo" para a "cessação definitiva do programa de armas nucleares do Irão".
O Irão, que não confirmou de imediato esta informação, tinha suspendido temporariamente a sua cooperação com a agência da ONU após os ataques aéreos israelitas e americanos contra as suas instalações, em junho de 2025.
Desde então, os inspectores da AIEA não puderam visitar os locais afectados, o que levantou dúvidas sobre o estado dos stocks de urânio altamente enriquecido do Irão, um dos principais pontos de discórdia com Washington. No entanto, foram autorizados a visitar outras instalações nucleares iranianas nos últimos meses.
Após a assinatura de um memorando de entendimento na semana passada, espera-se que seja alcançado um acordo final no prazo de 60 dias. As negociações entre Washington e Teerão passaram agora para questões técnicas.
c/agências